Estou a Chorar o Lenço Branco do Adeus

— Depois de ler um verso de Adelaide Freitas

("I Am Lamenting the White Kerchief" after a line by Adelaide Freitas, Translation by Vamberto Freitas)

Choro o  lenço branco das nossas despedidas,
Choro a agitação do vento a soprar entre
tantos ramos nus das árvores que orlam os sulcos de inverno
de-onde? Onde passeávamos e passeávamos nos
pequenos montes, aí onde as árvores se
alinhavam, tão determinadas? Tão firmes?
Tudo isto para dizer que a nossa despedida foi uma rendição.
Tudo isto para
dizer que certas árvores, nada tendo a ver connosco,
se quedavam subitamente atentas, lançando sobre nós um breve olhar.

Estou perdido. Não há esperança para mim. Estou afundado na linguagem
dos afectos, para a qual não há  tradução. As nossas despedidas
ridicularizam-nos. Que te diz  agora o teu coração? Em que se fixam
os teus olhos ensonados? Devias ter permitido que o vento
te acarinhasse. Eu devia ter permitido que as árvores
  como pai me encaminhassem.
E o coração: esse herói, esse monstro de todas as nossas rendições.